10 outubro 2012

Um Record idiota

Exmos. Senhores do jornal “Record”,

Esta missiva serve para manifestar a minha incredulidade e espanto pelo facto de ter sido bloqueado pelo órgão de comunicação social que V. Exas. dirigem, na rede social twitter.

Lágrimas já secadas pela dor que este bloqueio em mim provocou, apraz-me considerar com o coração devastado a pungente ignomínia que me foi dirigida, uma vez que não consigo vislumbrar um motivo razoável para que as minhas prévias interacções com o vosso endereço no twitter @Record_Portugal justifiquem esta vossa tomada de posição.

V. Exas. chegaram inclusivamente a seguir-me na mesma rede e a fazer retweet de algumas das minhas intervenções pelo que ainda menos se percebe tal comportamento.

Para ser sincero não esperava esta tomada de posição por parte de uma publicação que pertence a um grupo que dirige os destinos de tão prestigiadas edições como a TV Guia, a TV Novelas ou a Flash.

Não sei quem é o responsável pela gestão das redes sociais em que V.Exas. mantêm presença, mas peço que NÃO seja despedido pois com a inteligência que demonstra, comparável talvez à de uma amiba que finalmente realizou que nunca será um cavalo de corridas em Ascott (muito portanto), ainda vai para a política arriscando-se fortemente a qualquer dia ser primeiro-ministro e depois ainda dizem que a culpa foi minha. Nada disso. Promovam-no para que fique por aí sossegado.

Mais do que rir-me com a atitude de V.Exas. queria somente colocar uma questão à qual seria simpático obter resposta: porquê?

O prestígio e notoriedade de um órgão de comunicação social não se coadunam com atitudes mesquinhas e infantis. A presença nos meios digitais e nas redes sociais exige estratégia, ponderação e bom senso e a gestão das mesmas não pode ser deixada na mão de alguém que se sente pessoalmente tocado com alguma mensagem mais dura ou crítica (como presumo que tenha sido o caso) ou que vise o clube do seu coração. No mínimo exige, como se costuma dizer, tomates. Geridas desta forma, o Record perde em credibilidade e sensatez. Ganha em ridículo, presunção e idiotice.

Não basta abrir uma conta nas redes sociais para que os V/ leitores estejam mais perto e sempre em contacto com as vossas edições, é preciso saber acarinhá-los, é preciso saber mantê-los, é imprescindível ser coerente com a isenção que pretendem demonstrar e racional relativamente ao dever de informação a que se obrigaram.

Por fim, somente informar que eu também vos bloqueei no twitter após verificada a vossa atitude, sendo que irei fazer os possíveis para que o maior número de pessoas conheça a forma infantil, inepta e obtusa como o Record é gerido nas redes sociais.

Ah, é verdade, continuo a ter acesso ao vosso site, talvez queiram intervir nesse sentido.

Sincerily not yours.

Gonçalo Caldeira do Vale/ @goncalocvale

28 abril 2011

Os Mirones

Talvez tenha começado com o 25 de Abril, após anos e anos de repressão, com milhares de pessoas a saírem à rua para ver o que se passava sob o risco de levar com um balázio na bela e curiosa testa.

Talvez tenha começado anos e anos antes quando, em 1910, com a proclamação da República de Portugal, milhares saíram à rua para ver o que se passava.....sob o risco de levar com um balázio na bela e curiosa testa.

Talvez seja mesmo próprio do gene Tuga, mas f
actos são factos: o Tuga é profissional do mironismo.

Onde quer que haja um buraco, um pneu furado, um poste a descair sobre a via, uma árvore em risco de desabar, uma montra com o vidro partido, umas obras com máquinas pesadas, um guindaste periclitante, um afogamento na praia, o que seja, há sempre um ou dois mirones prontos para misteriosamente aparecer no local.

Não fazem muito, não fazem mesmo nada na verdade, não ajudam na busca, na recuperação, na reparação, na salvação, nada mesmo, limitam-se a olhar com ar de entendidos, de engenheiros reformados, de médicos de folga, de mecânicos prestáveis, e falam uns com os outros a especular sobre as origens do incidente. Falam baixinho que é para ninguém os ouvir, com uns leves murmúrios sob lábios semicerrados como quem quer mandar bitaites sem a coragem de os assumir.

Aparecem como cogumelos, como se tivessem um GPS no cerebelo com a indicação imediata de um novo buraco, uma nova obra, um cano rebentado recentemente, e aparecem do nada, como se tivessem acampados ali há décadas a aguardar aquele preciso momento.

Como os Maçons ou a Opus Dei, aposto que deve existir uma clandestina Ordem dos Mirones apostada em que haja sempre alguém em qualquer lugar de menor interesse. Falam entre eles por telefone satélite para não serem alvos de escutas, têm um aperto de mão secreto (três dedos esticados e o anelar para dentro) que só eles sabem executar na perfeição.

O mironismo é para o Tuga como a valsa é para os Austríacos, o samba para os Brasileiros, o queijo para os Suíços, a má-educação para os Franceses ou o snobismo para os Ingleses. Está na sua natureza mais intrínseca.

Dito isto, (e como não sei como acabar este belíssimo texto) vi ali um carro a furar um pneu por isso vou ali e já venho

17 fevereiro 2011

Trust

01 fevereiro 2011

A dinâmica da escrita

O mundo em geral debate-se, hoje mais do que nunca, com uma dinâmica da escrita única.

Veículo de comunicação cada vez mais incontornável, o sms trouxe consigo o imperativo de uma construção frásica resumida ao máximo, restringindo ao mínimo possível as letras utilizadas para passar a informação desejada. Este imperativo levou-nos a adoptar abreviações atrás de abreviações, sublinhadas e optimizadas com a introdução fantástica dos smileys.

Lol, omg, bs, brb, cya, wtf, entre tantas e tantas outras abreviaturas que automática e intuitivamente abraçámos do inglês pululam como formigas por este mundo cibernético. Aliás, numa geografia relativa cada vez mais próxima, o inglês passou a assumir, ainda mais, papel preponderante nas comunicações.

O Twitter leva este recente paradigma de escrita a um novo patamar: 140 caracteres para passar toda a informação que desejas. Caso ultrapasses este número mágico és veladamente insultado: “Your tweet was over 140 characters. You'll have to be more clever.”. Ou seja, caso não consigas transmitir em 140 caracteres o que queres dizer, tens que tentar ser mais esperto. Felizmente para Einstein que a sua equação se resumiu a E=MC², pelos vistos estava mesmo muito à frente do seu tempo, caso contrário levaria com um “tens que ser mais esperto pá!”.

Numa segunda fase desta minimização da língua mundial observo cada vez mais pessoa que usam estes termos, mas falados. Explico: em vez de genuinamente rirem dizem lol; em vez de dizerem “oh meu deus” dizem omg. E agora uso eu uma abreviatura: wtf!! A primeira vez que ouvi alguém dizer “omg” respondi: O.N.G.? Há uma O.N.G. envolvida nisto? A Greenpeace? Quem? Estava obviamente errado e fui automaticamente alvo de um LOL despegado.

Pessoalmente abstenho-me sempre que posso de abreviar seja o que for. A abreviatura é o calão do pobre de espírito e a ronha do inteligente. Reconheço que os smileys uso, mas aí é porque um smiley consegue por vezes transmitir emoções que levaria parágrafos a descrever. São simples, simpáticos e transmitem, num piscar de olho, um piscar de olho.

;-)

25 novembro 2010

Greve fecal.

Sim, o título diz tudo, esta foi uma greve de merda.

Foi a greve dos centros comerciais, dos passeios à beira mar, do acordar tarde, do descanso puro e duro, uma greve que nada reivindicou e a que nada serviu. Uma greve de propósito sem propósito.


Em vez de aproveitar a única e histórica ocasião que se apresentava para fazer uma manifestação de proporções nunca vistas em Portugal, os sindicatos, talvez com receio do frio e da chuva, preferiram o recato dos lares de cada trabalhador. Não duvido que, em casa, sentados no sofá, por baixo da mantinha e contentes porque "querida, hoje podemos ficar juntos porque não trabalho", cada português tenha veemente e sonoramente reivindicado os seus direitos, mas sejamos sinceros, não é bem a mesma coisa. Uma sonora voz silenciosa.

À distância de um dia estou ainda a vê-los, agarrados às suas bandeiras da UGT ou da CGTP, com os lindos e coloridos coletes vermelhos, sentados na poltrona. Mas estou a ser demasiado crítico, é verdade, alguns saíram de casa, tomaram essa iniciativa, tiveram essa força, coragem e determinação e foram ao centro comercial mais próximo despachar as compras de Natal, que isto de ter um dia livre no meio da semana não é todos os dias.

Nos telejornais da noite foi sem espanto que vi o ar, espantado, de muitos jornalistas estrangeiros a dizer que nunca tinham visto, numa greve, tão pouca gente na rua, tanta passividade. Vieram para filmar desacatos, cargas policiais, manifestantes em fúria, sindicalistas a chorarem, habituados a espanhóis, italianos, gregos, franceses ou inglêses, e foram para casa com imagens de um qualquer Domingo de inverno, pacato, frio e deserto de almas.

Pessoalmente até agradeço porque tive que trabalhar e o trânsito nunca esteve melhor, nem no pico do mês de Agosto, entristece-me é perceber que foi uma fantástica oportunidade que os trabalhadores e seus representantes deixaram escapar para verdadeiramente marcar a história. Estas greves gerais caseiras até podem funcionar, mas somente se se prolongarem mais do que 24 horas, mais do que 48, talvez 3 ou 4 dias. Assim, um só dia, umas míseras 8 horas de trabalho efectivo que se perdeu, é que não, "não dá né"!

Por isso a greve foi fecal sim, no sentido em que não beliscou o governo, não beliscou Sócrates, limitou-se a ser aquele cheiro que persiste em não sair da casa de banho, umas simples cócegas, uma dor nas costas que depressa passa, aquele macaco do nariz que teima em não sair, só isso, simplesmente isso, nada mais. Foi como aquelas crianças birrentas que querem o doce antes de acabar a refeição, batem o pé a choramingar, depois levam uma palmadinha e "come e cala".

Costumo dizer que a anarquia funciona melhor quando está organizada. Visivelmente, a apatia também.

11 novembro 2010

Ursos

Mensagem enviada à Câmara Municipal de Marco de Canavezes e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, que permitem que três Ursos Pardos permanecam há meses enjaulados sem solução à vista.

"Exmos Senhores,

Somente ontem tomei conhecimento da situação vergonhosa e revoltante em que três Ursos Pardos são mantidos em Vila Boa do Bispo, Marco de Canavezes, há já demasiado tempo.

É uma verdadeira afronta para os valores deste país de preservação e amor pela natureza que continuem enjaulados animais cuja única e singular culpa é o de serem...animais. Não bastava já terem servido de entretenimento para um circo agora estão simplesmente aprisionados. Se se tratassem de seres humanos, homens, mulheres ou crianças, nem dois dias teriam permanecido numa situação tão clamorosamente ofensiva.

Gostava de saber, como cidadão desta nação, quais os passos que serão tomados e prazos para os efectivar no sentido da resolução rápida desta situação. Pensem que em vez de serem ursos fossem pessoas, crianças, os filhos de V.Exas, deixariam que isto se prolongasse por muito mais tempo?

Não duvido que tenham já, ambas as instituições para quem endereço esta mensagem, a Câmara Municipal de Marco de Canavezes e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, providenciado para tentar que fosse encontrada a melhor solução, mas esta tem que ser breve e definitiva pois cada dia que passa são dias de prisão, miséria e humilhação para estes três ursos.

Fico a aguardar resposta de Vs.Exas. na espererança sincera que algo seja rapidamente feito.

Cumprimentos"

26 outubro 2010

To Grandma

Avó,

Não me recordo bem de si.


Ainda no Domingo passado nos deixou e não me recordo bem de si.


A Avó não era daquelas Avós carinhosas como se vê nos filmes lamechas ou se lê nos livros infantis. Aquelas Avós que fazem bolos, com quem se fica frequentemente, que leva os netos a passear quando o tempo a isso convida ou segreda cantigas de embalar para adormecer os netos. Era antes daquelas Avós algo distantes e frias que proclamava para si o melhor lugar e exigia de nós total empenho e carinho quando por sua vez não o dava de volta ou, no mínimo, não o sabia transmitir. Lembro-me de a visitar em casa e de jogarmos ao mikado com o Avô enquanto a Avó conversava com a Mãe, jogava paciência ou pintava as unhas. Lembro-me dos nossos almoços de quando em vez, mas algures no tempo, infelizmente, as visitas a sua casa passaram de ser uma vontade expressa para se tornarem uma tarefa involuntária.


No fundo não sei quase nada de si, pouco me contou, quase nada partilhou e deixou-nos sem saber muito de mim também, talvez mesmo nada. Não conheço a sua cor favorita, o melhor livro que leu ou filme que viu, qual a sua melhor memória e qual a pior, quem foi o seu primeiro namorado, como foi o nascimento da minha Mãe, o abandono do meu Avô, nada. Talvez seja culpa minha também, não saberemos mais.


No fundo até a compreendo. Quando o Avô a deixou, eram a minha Mãe e o meu Tio pequenos ainda, teve de alguma forma aguentar a família. Teve que seguir em frente, ser forte, ser impassível, não perdoar mais. Gostava de ter sabido como o fez, não deve ter sido fácil naquela altura, os tempos eram outros. Esse período talvez tenha moldado a sua maneira de ser, a sua maneira de agir e reagir. Talvez tenha começado aí essa sua frieza. Apesar de algum distanciamento era com alegria, penso que genuína, que nos recebia em sua casa agora que se aproximava o fim.


Foi-se embora teimosa.


Sei que os últimos tempos não foram bons para si, antes pelo contrário, mas por entre tormentos e lamentos penso que terá encontrado o seu próprio caminho de perdão. Gostava muito de ter ficado com outras memórias de si, outros momentos, outras convicções, mais abraços, mais ternura. Talvez o tempo revele outras histórias que me iluminem de alguma forma.


Não me lembro de si, mas vou ter saudades suas.


Beijinhos Avó, até sempre.

06 outubro 2010

Mina


Fazes hoje um ano minha querida Mina.

Infelizmente, porque as andanças da minha irmã, tua Mãe, assim o ditam, não posso estar contigo hoje. Estive aí o ano passado a ver se te via nascer, mas foste teimosa e só saíste uma semana depois de eu partir. Essa teimosia sei a quem sai, é um pouco de família.


Entretanto soube que me quiseram como teu Padrinho. Erro crasso...ahahah! Fora de brincadeiras, nada me orgulha mais do que sê-lo.


Queria poder agarrar-te hoje e dizer-te silenciosamente ao ouvido que te amo, mesmo assim ao longe, que significas muito para mim, apesar de praticamente não me conheceres. A tua Mãe que te conte, eu até sou um gajo porreiro, e ia fazer-te rir de certeza, brincar muito contigo e ensinar-te a dizer "Tio Gonçalo".


Espero que as nossas vidas se cruzem mais vezes, eu que viajo pouco e tu que viajas muito, e que consiga ver ao vivo o teu sorriso, partilhar as tuas brincadeiras, abraçar-te, olhar para ti e tentar vislumbrar as parecenças familiares.


Até logo Mina.


Que tenhas um fantástico dia neste teu primeiro aniversário, muitos e muitos mais virão certamente. Conto estar contigo na maior parte deles.


Beijos grande do Padrinho.

20 setembro 2010

Marcha de emergência.

Há coisas que não percebo e esta é uma delas. Este semáforo existe e fica na baixa de Lisboa.

Faz algum sentido existir um semáforo para bombeiros? Expliquem-me porque eu não percebo mesmo.

Quer dizer, o prédio do fim da rua está em chamas, mas está vermelho portanto o carro de bombeiros vai ter que ficar ali à espera do verde??


10 setembro 2010

Back

Post vacations inspirational gap.

23 agosto 2010

Summer days

04 agosto 2010

Best inventions #1

Digam o que disserem, mas umas das melhores invenções de sempre foram os lençois de cama com elásticos nas pontas.

Quem tem de fazer a cama com pouco jeito e pouco tempo, sabe que não há nada melhor.

09 julho 2010

Slow motion

Às vezes parece que outrora tudo era mais lento, mais leve, talvez somente mais simples e único. Os próprios sons que nos rodeiam, os ritmos da vida, os compassos da nova era são mais acelerados, menos definidos, semelhantes a tantos outros.

No tempo dos slows, em que o tempo passava, só Deus sabe porquê, mais devagar, os momentos agarravam-se por entre os murmúrios dos braços que se cruzavam na penumbra. Cada instante era único, cada suspiro era o último e cada beijo era uma novidade.

Já não há slows.

Já não há almas apaixonadas que se abraçam no escuro ao som de músicas lamechas e doces. Jão não se sentem os corpos colados um ao outro, separados somente pelo rubor da adolescência. Já não há os beijos ternos quando o som se esbatia lentamente.

Slow motion, é como tudo deveria ser

07 julho 2010

Aninhas



Na segunda-feira passada a Aninhas deixou-nos.
A Aninhas era uma cadela de rua que foi recolhida há alguns anos.
Andava escondida nos átrios dos prédios de Miraflores, ora abrigando-se do sol e do calor, ora protegendo-se da chuva e do frio, alimentando-se verdadeiramente daquilo que Deus lhe providênciava. A Luisa começou a alimentá-la com alguma regularidade e o meu Pai a acompanhá-la enquanto passeava o nosso outro cão, o Pipas. Naturalmente, porque o coração assim manda, acabou por ser adoptada.
Chegou lá a casa com os receios dos cães maltratados que sempre lutaram para fazer deste mundo também o seu lugar, apesar das agruras da vida, apesar da maldade dos homens, apesar de tudo indicar que a mera sobrevivência não era sequer opção. Assustada, escondida, apreensiva e carente. Olhava para nós com uns olhos de mel cheios de ternura como que a agradecer a gentileza e na esperança que não fosse por pouco tempo.
Foi até sempre.
Está agora certamente num lugar bom, a brincar com a Bouboulle e com o Tobias e comer todos os ossos que já não podia comer.
Até já Aninhas.

06 julho 2010

Gosto de graffitis