25 fevereiro 2010

Improvisação

O improviso é tipicamente português.
Tão típico quanto os tapetes da Arraiolos, as sardinhas enlatadas, o galo de Barcelos ou a forma sublime e profissional como tiramos macacos do nariz dentro do carro. Sim, vá lá, não negue, provavelmente até está a tirar um enquanto está a ler este post, seu badalhoco.
O improviso é, se pensarmos bem no assunto, uma forma explícita e directa de dizer: "Pronto, não tive muito tempo para pensar nisto, estive a deixar tudo para a última porque estava entretido a ver pornografia na internet, mas vamos a isto agora". "Eh pá e tal, mas agora já não podemos fazer como antes ". "Não há problema, improvisamos”
O tuga peludo e eriçado é profissional de topo no improviso e no desenrascanço. Se o improviso pagasse éramos os Bill Gates deste planeta.
Mas não paga.
Por outro lado, não deixa de ser estranho que essa característica tão identificativa e sobranceiramente vista pelos nossos congéneres (adoro a palavra "congéneres") é ao mesmo tempo a faceta que mais nos valoriza e pela qual nos destacamos.
Vezes sem conta, como a Expo 98, o CCB ou o Euro2004, andávamos aos papéis até ao dia da inauguração, mas nunca falhou. Se fosse na Alemanha tinham tudo pronto 3 meses antes, mas nunca conseguiriam resolver problemas de última hora.
Podemos sempre dizer que o improviso não nos permite atingir patamares maiores no mundo. Podemos, mas não era a mesma coisa.

4 Comments:

Blogger Iola said...

Eu gosto do improviso. Porque, dá-nos capacidade de reacção e uma satisfação enorme quando tudo corre bem ou uma frustação enorme quando as coisas falham. Mas de uma maneira ou de outra o improviso obriga-nos a mexer, a ter capacidade de resposta, e a não ficarmos inertes, como os alemães ficam perante o imprevisto!

10:45  
Blogger Ysse said...

Está bem não somos mestres na planificação é verdade ...mas este é o nosso país se não te habituaste ainda...não sei...
Podes viver nele e pelo menos planificares a tua vida !Por acaso fazes uma lista antes de ir ao supermercado? hahaha
Quanto às barrasquices e artesanato, concordo somos porcos e pirosos !
Mas eu nem tiro macacos do nariz, nem atiro lixo para o chão, beatas pela janela do carro e afins ... ou praguejo o valor da nossa excelente tradição, mas gosto do meu País pela metade que me coube de herança !

00:50  
Blogger G! said...

...estava a apontar, não a criticar. acho que sendo um país ao improviso acabamos por ser um país e um povo bem feliz...antes o calor do improviso do que a frieza da programação...mas isso sou eu.

quanto à parte da piroseira, em geral somos de facto um povo assim pró bimbo.

09:30  
Blogger Ysse said...

"Apontar"!!!

Eu por acaso se pudesse não improvisava, lá está eu sou a suave percentagem que usa lista para tudo!:)

00:31  

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