02 janeiro 2007

Saddam Insane

Cerca das 3 da madrugada de dia 30 de Janeiro, morreu enforcado Saddam Hussein.

Não vou discutir a forma como o antigo ditador foi executado ou mesmo a pena a que foi condenado, mas somente retratar este homem brutal e vil.

Não conheceu o Pai que abandonou a Mãe Subha antes de ele nascer, tendo esta voltado a casar com um indivíduo cuja alcunha era “Ibrahim, o mentiroso” e cujo hobby era sovar o pequeno Saddam com um pau coberto de asfalto. Não se pode dizer que tenha sido um início brilhante.

Foi o irmão da Mãe, Khairallah Tulfah, um militar da carreira e simpatizante de Adolf Hitler, que se tornaria governador da Bagdad, que mais influenciou e moldou a personalidade de um imberbe Saddam. Não se pode dizer que tenha sido a influência ideal.

Casou duas vezes e teve cinco filhos. O primeiro casamento foi com a própria prima, filha do Tio que o acolheu, mas presumo que isto no Iraque seja normal, o segundo também foi com uma familiar embora de grau mais afastado. Não admira que os filhos tenham saído meio loucos.

Apesar de tudo, recebeu em 1977 um prémio atribuído pela UNESCO pelo seu programa de alfabetização implementado no país. A forma é que foi tudo menos ortodoxa: criou uma data para incentivar as matrículas de crianças nas escolas, chamado “Dia do Conhecimento” e ameaçou os pais que não inscrevessem os filhos de prisão. O resultado foi um número recorde de inscrições, claro está.

Entre o seus crimes conhecidos estão os seguinte:

Arrasou a pequena vila de Dujail com bulldozers após um grupo de militantes oposicionistas terem alvejado o carro onde viajava. Raptou 140 homens e crianças de quem nunca mais se ouviu falar; 1.500 pessoas foram presas e torturadas e após um ano de encarceramento foram exilados num campo no meio do deserto.

A partir de Abril 1987 ordenou o bombardamendo de 40 vilas Kurdas com armas químicas, nomeadamente a vila de Halabja. 5.000 pessoas morreram. Os efeitos secundários para muitos sobreviventes continuam a ser a cegueira, cancro e deficiências.

Como se não bastasse, de Fevereiro a Setembro 1988 ordenou a Campanha Anfal contra a população Kurda do norte do Iraque na tentativa de eliminar definitivamente esse povo. 200.000 soldados iraquianos invadiram a região deitando abaixo tudo o que encontravam no seu caminho. Os homens de 13 a 70 anos e as mulheres foram fuzilados, todos os outros foram raptados. Estima-se terem morrido 182.000 Kurdos.

Estou certo que outros crimes haverá, mas estes chegam para justificar a condenação a que foi julgado. É bonito defender outras penas, mas quando a memória nos traz estes factos é difícil não concordar com aquela que foi decidida.

Infelizmente, como todos os outros, ficará recordado na História este homem que deveria ser esquecido, mas pelos crimes que cometeu merece aquilo que teve.

9 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Guardo a minha pena para outros seres merecedores.
Lamento que tenha crescido à base de pancada, mas há muita gente que tendo sido traumatizada nao se torna louca e sádica.
Agora dizem que dava pão aos pássaros.So what?Não tem nada a ver.
Os nazis tb gostavam muito dos seus caes e filhos.
Não concordo com a forca, nem sabia que ainda havia disso, mas é menos um para atormentar este planeta doente.
bjs
cat ou marisol

00:36  
Blogger G! said...

Marisol, toda a razão.

O Hitler tinha imensos cães que tratava mais do que bem e não é isso que certamente fará dele boa pessoa.

De qualquer forma, existem sempre pessoas demasiadamente estúpidas para defenderem pontos de vista estúpidos como: "O Bin Laden até é bonito". So what?

bjs mari

12:03  
Anonymous Anónimo said...

por acaso isso do bin laden ate foi atua amiga clara FA que disse, e costuma dizer coisas acertadas...

16:11  
Blogger MIN said...

nem sabia que ainda enforcavam pessoas? Tipo idade média?
Ainda bem que já não faz mal a mais ninguém.

16:28  
Blogger Bee said...

g!,

Independentemente de todas as atrocidades que o Saddam praticou, sou no princípio, meio e fim contra a pena de morte. Mas confesso que neste caso a minha oposição não se prende com a irreversibilidade da pena - porque não há margem para dúvidas sobre os crimes que cometeu - mas com o castigo per si: não acho que o Saddam mereceu o que teve.

Mais do que lhe ser tirada a vida e o sofrimento de Saddam acabar assim, a verdadeira pena seria ter de viver encarcerado, sem contacto nenhum com o mundo exterior e passar o resto dos seus dias a olhar para a parede numa prisão manhosa perdida no fim-do-mundo...

Bjs, Bee

01:23  
Anonymous Anónimo said...

bee, era levá-lo para chelas!
bjs cat

01:24  
Blogger G! said...

bee, no espírito até concordo contigo, mas uma pequena dose de morte é o que gajos destes precisam para o mundo ser melhor.

também sou contra a pena de morte, mas há excepções: Hitler, Stalin, Pol Pot, Saddam, os dois miúdos ingleses que torturaram até à morte o James Buggler de 3 ou 4 anos. Merecem morrer, todos eles.

Bjs

03:10  
Blogger G! said...

ah...e o Santana Lopes

03:10  
Blogger Bluedog said...

Como sou contra a pena de morte como medida decidida pelo Estado para condenar autores de crimes, sejam eles quais forem SOU E SEMPRE SEREI contra enforcamentos como execução de uma pena, ainda que do Saddam.

PS: Dito isto, penso que emocionalmente era perfeitamente capaz de dar uma lambadas bem puxadas em alguém que me fizesse, directa ou indirectamente muito mal, depois sacava da pistola de matar elefantes e dava-lhe um tirito em cada joelho, antes de passar por cima das pernas do maldito com um jeep estilo Hummer e deixá-lo por ali a esvair-se e a sofrer que nem um desalmado que forçosamente teria de ser.

19:23  

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